Coroas fúnebres denuncim suicídios de produtores gaúchos e expõem falência da politica rural
A carga emocional que recebem os agricultores gaúchos devido a grande dificuldade de saldar suas dívidas e a desesperança de receber a ajuda necessária do Estado para tentar solucionar a situação faz com que muitos desses produtores recorram ao suicídio. A jornalista Karina Michelin expõe a realidade do trabalhador rural no sul do Brasil, em texto publicado em sua rede social.
Na abertura da Expointer, em Esteio, o protesto não foi feito apenas com tratores e cartazes. Foram 23 coroas fúnebres colocadas na entrada do evento, em memória de agricultores que, segundo o agricultor Fabio Eckert, se suicidaram esmagados por dívidas e pela ausência de soluções do governo. A cena chocou visitantes e traduziu em símbolos o que já se tornou uma das faces mais cruéis da crise no campo gaúcho.
O drama não é novo. Em audiência na Câmara dos Deputados, realizada em maio, o deputado Luciano Zucco (PL-RS) já havia denunciado pelo menos 16 suicídios de produtores no estado. As entidades rurais alertam que esse número pode ser ainda maior, já que muitos casos ficam invisíveis, soterrados pela dor das famílias e pela burocracia que se recusa a olhar para o problema.
Diante dessa tragédia humana, o governo federal anunciou uma Medida Provisória de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais. Mas, no Rio Grande do Sul, onde a estiagem prolongada e a maior enchente da história deixaram o setor devastado, o passivo supera os R$ 27
bilhões. A conta é simples: o valor prometido não cobre nem a metade da ferida aberta, é como oferecer um copo d’água para apagar um incêndio.
Enquanto a propaganda oficial do regime fala em alívio, na vida real famílias estão sendo destruídas. Agricultores relatam humilhações em bancos, renegociações que não chegam, prazos que não existem. O que se vê é um governo que aparece para fotografias e discursos, mas não para salvar vidas. O resultado está nas cruzes erguidas simbolicamente na Expointer e nas estatísticas cruéis; o Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional de suicídios, com 1.548 mortes registradas em 2023, segundo a Secretaria de Saúde.
O campo gaúcho grita por socorro, mas o poder público responde com migalhas e marketing. O drama dos produtores não é apenas econômico – é existencial. Cada vida perdida é uma denúncia, a omissão custa sangue. E o tempo está se esgotando para que Brasilia trate o agricultor não como número em planilha, mas como ser humano que alimenta o pais e agora pede apenas para sobreviver.





