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Paraguai

Pulgas tiraram cinco bebês da neonatal em Ciudad del Este

A ala de neonatologia do Hospital Regional foi fechada e dedetizada. No mesmo dia, mais de 430 médicos entregaram a renúncia no Paraguai, incluindo profissionais da UTI pediátrica da cidade.

Foz Ao Vivo 01/09/2026 às 10:04 Atualizado 01/09 às 10:15
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Gustavo Galeano

Cinco bebês foram transferidos da neonatologia do Hospital Regional de Ciudad del Este por causa de uma infestação de pulgas. A ala foi fechada e passou por dedetização.

Os recém-nascidos foram levados para a sala 3 da internação de cirurgia geral do mesmo hospital.

A causa apontada é a estrutura. Segundo denúncias publicadas pela imprensa paraguaia, o prédio tem goteiras e umidade. Dias antes, uma das canaletas de esgoto havia estourado e espalhado mau cheiro pelo hospital, segundo relato da médica Lea Acevedo.

O caso aconteceu no mesmo dia em que a saúde pública paraguaia entrou em uma crise de outra escala.

Na manhã de 31 de agosto, médicos especialistas de hospitais públicos de todo o país protocolaram renúncias coletivas. O ABC Color publicou o número de 431 renúncias em uma reportagem e de 443 em outra, no mesmo dia, e a projeção do setor chegava a 600 até o fim da semana.

Ciudad del Este está na lista. Foram registradas 12 renúncias na UTI pediátrica da cidade.

Também entregaram os cargos cerca de 100 médicos em funções de direção, que os colocaram à disposição da ministra da Saúde, María Teresa Barán.

A pauta é salarial e de insumos. Os médicos pedem a correção do vínculo de 12 horas de 5 milhões para 8 milhões de guaranis, e afirmam que os salários estão congelados desde 2012. Denunciam também falta de material básico.

“Temos o equipamento laparoscópico, mas não temos clipes; a pinça não aperta os clipes”, disse o cirurgião pediátrico Argüello.

A chefe de terapia intensiva pediátrica do Hospital Nacional de Itauguá, Norma Ruíz, descreveu a rotina de comprar material com dinheiro próprio.

“Sim, nós compramos insumos, porque quando chega uma criança crítica que pode morrer, uma hora de terapia representa 30% mais de possibilidade de morrer”, afirmou. E resumiu: “Se nós não temos a mortalidade tão elevada, não é pelo Ministério, é por nós.”

O governo fala em prazo longo. A ministra María Teresa Barán afirmou que “estamos fazendo um trabalho estrutural” e priorizou a construção de sete hospitais, sem aceitar reajuste imediato.

No Congresso, houve apelo para que as renúncias não sejam aceitas. “O Poder Executivo, através de sua ministra, não pode aceitar essas renúncias”, disse a senadora Lilian Samaniego. Segundo ela, “o que os médicos pedem é real e justo, mas é impossível de cumprir em curto prazo”, e “de ambas as partes deve haver vontade política”.

Com informações de Ultima Hora

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