O governo do Paraguai conta 61 renúncias de médicos; os médicos falam em 600
Mais uma rodada de negociação terminou sem acordo. O governo recusa o aumento imediato e propõe carreira sanitária; os médicos rejeitam e mantêm as renúncias.
Mais uma rodada de negociação entre o governo do Paraguai e os médicos especialistas terminou sem acordo. O impasse já dura uma semana e envolve renúncias coletivas em hospitais públicos de todo o país.
Os números não batem. O Ministério da Saúde informou ter recebido 61 renúncias até segunda-feira. Os médicos falam em 196 só no primeiro dia e projetam cerca de 600 até o fim da semana. O jornal ABC Color publicou 431 em uma reportagem e 443 em outra, no mesmo dia.
A divergência é parte do conflito, porque define o tamanho do problema que o governo precisa admitir.
O pedido da categoria é objetivo: aumento de 3 milhões de guaranis por vínculo, cerca de 508 dólares. Os médicos afirmam que os salários estão congelados desde 2012.
O governo diz que não cabe no caixa. O ministro da Economia, Óscar Lovera, afirmou ser “impossível financiar o reajuste de 76%”.
A contraproposta é outra. A ministra da Saúde, María Teresa Barán, apresentou a criação de uma carreira sanitária, com pagamento por grau acadêmico e mérito.
“Não chegamos a um acordo neste pedido de aumento de 3 milhões de guaranis por vínculo”, disse Barán. Segundo ela, “tivemos uma proposta de trabalhar na carreira sanitária e pagar por grau acadêmico”.
Os médicos rejeitam. Eles lembram que a carreira sanitária tramita há 30 anos no Congresso e não resolve o problema imediato.
“Não encontramos nenhuma resposta por parte do governo nem do Ministério. Então, já não temos nada a fazer no nível ministerial, e viemos apresentar nossas renúncias”, afirmou Roberto Riveros, secretário gremial da Sociedade de Cirurgiões Pediátricos.
A greve que antecedeu as renúncias durou cinco dias e reuniu 11 mil médicos, segundo os números divulgados. Há ainda 9 mil profissionais com contratos temporários pedindo nomeação efetiva.
Ciudad del Este registrou 12 renúncias na UTI pediátrica, e o Hospital Regional da cidade fechou a ala de neonatologia na semana passada por infestação de pulgas, transferindo cinco bebês.
Com informações de Infobae






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