Cinco corpos esperam sepultamento em câmaras frias em Foz
Faltam vagas nos cemitérios públicos e as exumações não resolveram: em dois meses, dez covas foram abertas e só uma liberada. A Prefeitura abriu sindicância contra a concessionária.
Cinco corpos aguardam sepultamento em câmaras frias do Hospital Municipal de Foz do Iguaçu por falta de vagas nos cemitérios públicos. A Prefeitura tem até esta sexta-feira (4) para apresentar à Justiça um plano de ação emergencial.
O prazo de 30 dias foi determinado pelo juiz Rogério de Vidal Cunha.
A ocupação das câmaras é a medida mais direta do problema. Em 3 de setembro, cinco das nove gavetas disponíveis estavam ocupadas. Há ainda um corpo sob custódia policial, aguardando identificação.
Os sepultamentos gratuitos caíram. Entre janeiro e agosto deste ano, a média foi de 19,4 por mês, abaixo da média histórica de 24 mensais.
A saída tentada até agora não funcionou. Em dois meses, dez covas foram abertas para exumação no Cemitério Municipal Parque Nacional, e apenas uma foi liberada para reutilização.
A explicação é a pandemia. Corpos sepultados no período da covid-19 se decompuseram mais devagar por causa dos protocolos sanitários adotados nos enterros, o que inviabiliza a exumação no prazo normal.
Há espaço mapeado, mas não disponível. Levantamentos técnicos apontaram cerca de 50 vagas no cemitério do Jardim São Paulo e possibilidade de expansão de 542 sepulturas em três locais. Uma área de 10 mil metros quadrados já tem as licenças ambientais necessárias.
A Prefeitura abriu sindicância administrativa contra a Camis, concessionária dos cemitérios, por suposto descumprimento de contrato.
A empresa contesta. Segundo a concessionária, os atrasos decorrem de questões não resolvidas sobre a continuidade do contrato.
Enquanto a disputa corre, o efeito recai sobre quem precisa enterrar alguém sem condições de pagar.




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