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Cidadania

Censo aponta que 76% das pessoas em situação de rua querem deixar essa condição em Foz

Foz Ao Vivo 21/05/2026 às 08:08
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Na manhã desta quarta-feira (20), foram apresentados os dados finais do I Censo da População em Situação de Rua, levantamento inédito no município que traça o perfil socioeconômico e demográfico dessa população e servirá como base para a elaboração e ampliação de políticas públicas intersetoriais. A apresentação foi no auditório da Estação Cultural Haroldo Alvarenga.

Realizado entre os dias 19 e 31 de agosto de 2025, revelou que ao menos 601 pessoas vivem em situação de rua. “A gestão municipal trouxe essa necessidade de realizar o primeiro censo da população em situação de rua para gerar visibilidade, transparência e pensarmos em políticas públicas para Foz de Iguaçu. No nosso município tínhamos 1.004 registros apontados pelo Cadastro Único (CadÚnico) em janeiro do ano passado. Entretanto o número real é 40% menor”, destaca o secretário de Assistência Social, Alex Thomazi.

O censo apontou que 83,12% da população em situação de rua é composta por homens, enquanto 67,66% se autodeclaram pretos ou pardos. A idade média identificada é de 40 anos, e 89,27% dos entrevistados declararam ser heterossexuais.

Outro dado relevante diz respeito à origem dessa população: apenas 16,7% são naturais de Foz do Iguaçu, enquanto 83,3% são migrantes. Desse total, 17,2% vieram de outros países, principalmente Argentina e Venezuela.

Entre os principais fatores associados à situação de rua estão os conflitos familiares (30,93%), o uso abusivo de álcool e outras drogas (23,19%) e o desemprego ou perda de renda (8,96%). Além disso, 19,85% dos entrevistados relataram que passaram a viver nas ruas após o início da pandemia de Covid-19. O levantamento também mostrou que apenas 8,28% declararam não fazer uso de álcool, tabaco ou outras drogas.

A pesquisa revelou ainda que 76,63% dos entrevistados manifestaram o desejo de sair da situação de rua, dado que reforça a necessidade de ampliação da rede de proteção social e de atendimento especializado.

De acordo com o diretor da Divisão de Vigilância Socioassistencial (DIVS), André dos Santos, a partir dos dados obtidos, foi identificada a necessidade de implantação de novos serviços específicos para atender pessoas em situação de rua com transtornos mentais e dependência química. Como uma das primeiras ações decorrentes do levantamento, a Secretaria de Saúde lança, nesta quarta-feira, um edital de chamamento público para contratação de serviços de residência terapêutica. “Atualmente não tem um serviço específico para esse público que está na situação da rua e tem uma situação de saúde mental agravada e uso de drogas. Então, é importante oferecer o serviço a esse público para que a gente possa atender essa população e minimizar o sofrimento, além de dar dignidade às pessoas em um local de atendimento saudável para eles”, destaca o diretor da Vigilância Socioassistencial (DIVS), André dos Santos.

O I Censo da População em Situação de Rua é resultado de uma ação conjunta do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Municipal para a População em Situação de Rua (CIAMP Rua), com participação das secretarias municipais de Assistência Social, Segurança Pública, Saúde, Educação e Tecnologia, além do Ministério Público, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), organizações da sociedade civil e voluntários.

O estudo foi elaborado pelos pesquisadores: Samuel Cabanha, Marcelino Teixeira Lisboa, Irving Elias de Vellasco Vieira, Francielle Toscan, André dos Santos, Jesus Jaime Rodriguez Catacora e Nikolas Henderson Vidal Miranda.

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