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Itaipu Binacional

Projeto com apoio da Itaipu leva piscicultura sustentável a aldeia Avá Guarani

Foz Ao Vivo 02/02/2026 às 08:37
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A comunidade indígena Avá Guarani da aldeia Aty Miri, em Itaipulândia, realizou na última quarta-feira (28) uma atividade de manejo sustentável da piscicultura comunitária, com a despesca parcial de peixes criados em tanques elevados instalados no próprio território. A iniciativa integra o projeto Opaná: Chão Indígena, uma parceria entre a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e a Itaipu Binacional, e marca uma etapa na consolidação do sistema produtivo, voltado à segurança alimentar e à autonomia das comunidades indígenas do oeste do Paraná.

– cacique da aldeia Aty Miri, Natalino Almeida, classificou a despesca como um momento de alegria coletiva. Para ele, o pirá – peixe em Guarani – tem valor simbólico e cultural profundo. “Sempre tivemos o sonho de produzir nosso próprio peixe para o consumo da comunidade. Hoje isso é realidade. Foi uma experiência que deu muito certo, deixou todo mundo feliz, e esperamos que esse projeto chegue a outras comunidades também”, afirma.

O projeto Opaná: Chão Indígena prevê a implantação de dez sistemas produtivos comunitários de piscicultura em territórios Avá Guarani da região. Cada unidade conta com quatro tanques de cultivo e um tanque reservatório, operando com baixa renovação de água – modelo que reduz o consumo hídrico e os impactos ambientais.

Segundo o coordenador do projeto pela FLD, Jhony Luchmann, a metodologia adotada reflete o cuidado das comunidades indígenas com a preservação ambiental e com práticas produtivas sustentáveis. “A produção em tanques elevados, além de facilitar o manejo, permite o reaproveitamento da água e possibilita uma produção ambientalmente responsável. Isso contribui para que as comunidades tenham autonomia em todo o processo produtivo”, afirma.

A despesca parcial é um manejo que consiste na pesca seletiva, por meio de rede de arrasto, com a separação dos peixes conforme o tamanho. Nesta etapa, cerca de 700 peixes maiores (aproximadamente 250 kg) foram distribuídos entre as 70 famílias da comunidade, sendo destinados à alimentação comunitária. Os exemplares menores retornam aos tanques para a continuidade do crescimento, garantindo a continuidade da produção.

Para o gestor do Programa de Sustentabilidade Indígena da Itaipu Binacional, Paulo Porto, ações como essa fortalecem a autonomia e a soberania alimentar das comunidades Avá Guarani. “O projeto cumpre dois papéis fundamentais: entrega alimento produzido pela própria comunidade, contribuindo para reduzir a insegurança alimentar, e materializa o compromisso histórico da Itaipu com a reparação e o fortalecimento do povo Avá Guarani do oeste do Paraná”, destaca.

Cada tanque produtivo abriga, no mínimo, mil peixes, com variações conforme a espécie. O ciclo de cultivo pode variar de quatro a doze meses, respeitando o crescimento adequado de cada espécie nos tanques elevados. As espécies produzidas foram definidas em diálogo com a comunidade e incluem jundiá (Rhamdia quelen), lambari (Astyanax spp.), tilápia (Oreochromis niloticus) e carpa-capim (Ctenopharyngodon idella), esta última criada em consórcio com outras espécies

Ao integrar conhecimentos tradicionais e técnicas sustentáveis de produção, a piscicultura comunitária fortalece a soberania alimentar, diversifica a dieta das famílias e amplia a autonomia indígena. “Estamos atendendo a uma demanda que vem das próprias comunidades: produzir peixe com respeito às suas culturas e modos de vida”, reforça Jhony Luchmann.

O projeto Opaná: Chão Indígena tem como foco a sustentabilidade alimentar e o fortalecimento cultural de comunidades indígenas localizadas no oeste e no litoral do Paraná. Atualmente, mais de 970 famílias Guarani (Avá e Mbya) participam da iniciativa, que também desenvolve ações de educação antirracista junto à população não indígena dessas regiões. 

Fonte: CS/ FLD/Itaipu

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