A vacina contra herpes-zóster avança no Senado, mas o Ministério da Saúde já disse não
Uma comissão do Senado aprovou o projeto que inclui a vacina no calendário nacional, mas ele ainda precisa passar pela Câmara. Em janeiro, o ministério decidiu não incorporá-la por custo.
A vacina contra o herpes-zóster ainda não está disponível no SUS. O que a Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou em 1º de setembro foi um projeto de lei que ainda precisa passar por várias etapas.
O texto é o PL 4.426, de 2025, de autoria da senadora Dra. Eudócia, de Alagoas. A relatoria na comissão foi da senadora Damares Alves, e a aprovação foi unânime.
O projeto inclui a vacina no calendário nacional de imunização para pessoas com mais de 50 anos e para maiores de 18 anos com o sistema imunológico comprometido.
Essa faixa etária não estava na proposta original. O texto inicial previa cobertura a partir dos 60 anos, e foi ampliado pela senadora Mara Gabrilli, relatora na Comissão de Direitos Humanos, que aprovou o projeto em fevereiro.
O caminho ainda é longo. O texto precisa ser confirmado em turno suplementar na própria comissão, depois seguir para a Câmara dos Deputados e, se aprovado, ir à sanção presidencial. Só então caberia ao Ministério da Saúde definir como implementar.
E há um obstáculo anterior ao Congresso. Em portaria publicada em 12 de janeiro deste ano, o Ministério da Saúde oficializou a decisão de não incorporar a vacina ao SUS, seguindo recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias.
O motivo foi o custo. A estratégia avaliada previa vacinar idosos a partir de 80 anos e imunocomprometidos a partir de 18, com cerca de 6,5 milhões de doses e investimento estimado em R$ 5,2 bilhões em cinco anos.
A eficácia não foi o problema. A própria comissão reconheceu a alta proteção da vacina contra o herpes-zóster e contra complicações como a neuralgia pós-herpética.
O ministério afirmou que a decisão não é definitiva. Ela pode ser reavaliada se houver redução de preço, novas evidências científicas ou mudança no cenário econômico.
Na prática, hoje a vacina só existe na rede privada. As duas doses custam cerca de R$ 1.686, aproximadamente R$ 843 cada.
O esquema é de duas doses com intervalo de dois meses. A indicação é para pessoas a partir de 50 anos e, a partir dos 18, para quem tem o sistema imunológico comprometido ou risco aumentado.
O herpes-zóster é causado pelo mesmo vírus da catapora, que permanece adormecido no organismo depois da infecção e pode voltar a se manifestar anos depois, geralmente quando a imunidade cai.
A complicação mais temida é a neuralgia pós-herpética, uma dor intensa e prolongada que persiste depois que as lesões da pele já desapareceram.
Entre os efeitos adversos mais comuns da vacina estão dor no local da aplicação, dor muscular e dor de cabeça, em geral leves a moderados e resolvidos em dois ou três dias.
A relatora na comissão falou por experiência própria. Damares Alves teve a doença em 2023 e relatou o episódio durante a votação.
“O meu rosto ficou paralisado. É uma doença que dói muito”, disse.
Ao aprovar a ampliação da faixa etária, em fevereiro, Mara Gabrilli havia argumentado no mesmo sentido. “Para esses grupos, a imunização tem potencial de evitar episódios graves e reduzir o tratamento de sequelas dolorosas”, escreveu no relatório.
Quem tem indicação e quer se vacinar deve procurar um médico, porque a avaliação depende da idade, do estado de saúde e do histórico de cada pessoa.
Com informações de CS/ Senado Federal






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