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Saúde

Foz começa a soltar 700 mil mosquitos por semana, e pode aparecer mais mosquito no seu quintal

A 2ª etapa do Método Wolbachia começou nesta terça e vai durar 26 semanas, em 28 bairros. O CCZ avisa: o número de mosquitos pode subir, e eles são inofensivos.

Foz Ao Vivo 26/08/2026 as 08:21
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Divulgação/ PMFI

Três carros do Centro de Controle de Zoonoses começaram a rodar Foz do Iguaçu nesta terça-feira (25) soltando mosquitos. São 700 mil por semana, cerca de 140 mil por dia, em 28 bairros. A operação vai durar 26 semanas.

É a segunda etapa do Método Wolbachia, e ela precisa de um aviso logo de cara, porque o morador vai perceber.

“Naturalmente, a população pode perceber um aumento na quantidade de mosquitos por um período, mas esse mosquito é totalmente inofensivo. Ele não faz mal às pessoas nem aos animais”, diz o gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre.

E o recado seguinte é o que mais importa para quem mora na área: “A mensagem é sempre a mesma: continue eliminando o mosquito. Se você mata o Aedes aegypti, também contribui para o método”.

O método funciona assim. Os mosquitos soltos são Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Eles se reproduzem com os mosquitos locais, e os descendentes nascem já com a bactéria, que dificulta a transmissão de dengue, zika e chikungunya. Não há modificação genética, e os mosquitos não são transgênicos.

A produção começou em 13 de agosto, no Núcleo de Produção Regional montado no Horto Municipal. As cápsulas chegam em pacotes de cerca de 1,2 mil unidades, com ovos e ração dentro. Cada cápsula vai para um pote plástico com água, e leva cerca de sete dias até o mosquito adulto estar pronto. Um dia antes da soltura, a água é retirada. São 3,6 mil potes por semana.

Somando as 26 semanas, serão cerca de 18,2 milhões de mosquitos soltos na cidade até o fim da campanha.

Foz do Iguaçu é a primeira cidade brasileira em região de fronteira a receber a tecnologia. A primeira etapa começou em 2024 e cobriu metade da área urbana. Esta segunda leva o método aos 100% do território urbano do município.

Os números da dengue em Foz mudaram de patamar nesse período. Em 2024, a cidade registrou 14.683 casos e 10 mortes. Em 2025, foram 1.031 casos. O boletim epidemiológico divulgado nesta terça traz 3.605 casos notificados no ano, 43 confirmados, 3.383 descartados e nenhuma morte. Restam 179 em investigação.

Vale registrar que 2024 foi ano de epidemia de dengue em todo o Brasil, e que o município mantém em paralelo o combate convencional. Só entre janeiro e o início de maio deste ano foram 52.203 imóveis vistoriados, criadouros encontrados em 661 casas e 16.123 depósitos eliminados. A queda vem desse conjunto, e não de uma medida isolada.

“Quem está aqui em Foz do Iguaçu há mais tempo lembra como a gente sofria com as epidemias de dengue, com pessoas adoecendo e as unidades de saúde lotadas. Tivemos registros de mortes no município”, afirma a coordenadora técnica da Vigilância Ambiental, Renata Defante Lopes, representando a Secretaria Municipal de Saúde. “Trazer esse método garante que a população esteja mais saudável e ajuda a evitar epidemias no futuro”.

A eficácia do método tem ensaio clínico publicado. Um estudo randomizado feito em Yogyakarta, na Indonésia, e publicado no New England Journal of Medicine em 2021, apontou redução de 77% nos casos de dengue e de 86% nas internações nas áreas tratadas. No Brasil, Rio de Janeiro e Niterói registraram queda de até 77% na dengue.

A iniciativa é conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz e pela Wolbito do Brasil, com apoio do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e da Itaipu Binacional. A escolha das cidades é do Ministério da Saúde.

“Embora o método seja associado principalmente ao combate à dengue, ele também oferece proteção contra outras arboviroses, como zika e chikungunya”, explica o assessor da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Jorge Costa. Segundo ele, a definição dos municípios “é uma escolha técnica, que leva em consideração dados históricos e epidemiológicos”.

OS 28 BAIRROS QUE RECEBEM A SOLTURA

Jardim Alvorada, Jardim Bourbon, Jardim Maracanã, Itaipu B, KLP, Porto Belo ,Três Bandeiras,Vila Portes, Jardim Ipê, Itaipu A, Campus do Iguaçu, Jardim Lancaster, Jardim Carimã, Parque Monjolo, Porto Meira, Jardim Panorama, Jardim São Roque, Morumbi (parcial), Cidade Nova ,Centro Cívico Náutica, São Roque, Centro, Três Fronteiras, Portal da Foz, Mata Verde, Jardim Cataratas e Lote Grande.

Com informações de PMFI

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