Pular para o conteúdo
Ao vivo --:-- há 5h  Mulher afastada do trabalho por violência doméstica pode receber do INSS por até seis meses
NewZone
Mobile Zone
Câmbio
Dólar compra5,160 venda5,230 Guarani compra1105 venda1130 Peso argentino compra0,0027 venda0,0036 Dólar no Paraguai compra5800 venda5855 Atualizado hoje, 16:12
Argentina

Argentina deve crescer o dobro do Brasil nos próximos dois anos, diz FMI

Apesar dos resultados divulgados pelo FMI, analistas entendem que o cenário ainda é frágil no país comandado por Javier Milei

Foz Ao Vivo 04/08/2025 às 08:14
Compartilhar

Em um momento de virada econômica e redução significativa da inflação mensal, a Argentina deve registrar um crescimento ainda maior no próximo ano. Segundo projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional), o país deve crescer o dobro do Brasil em 2025 e 2026.

Para este ano, o índice deve ser de 5.5% e, em 2026, de 4.5%. Em contrapartida, o Brasil tem uma expectativa de crescimento de 2.3% e 2.1%, respectivamente. Para especialistas ouvidos pelo R7, apesar do alívio momentâneo, o cenário ainda é frágil na Argentina.

Em 2023, por exemplo, a inflação anual chegou a 211,4%, caindo para 117,8% em 2024, de acordo com dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Mesmo com os resultados, o economista Hugo Garbe aponta que o índice continua alto e houve um aumento da pobreza.

“O sucesso do experimento liberal dependerá da capacidade de Milei de manter apoio político e coesão social, ao mesmo tempo em que avança com medidas impopulares. É uma aposta de alto risco: se der certo, pode transformar a Argentina; se falhar, pode aprofundar o caos”, avalia.

Apesar da baixa perspectiva de crescimento, diferentemente da Argentina, o Brasil não vive hiperinflação ou colapso institucional, mas, na opinião de especialistas, tampouco lida da melhor forma com obstáculos que impedem seu crescimento.

Para Garbe, o país parece ser “prisioneiro” de um modelo de crescimento baseado no consumo e na expansão do crédito público, porém, sem as contrapartidas em eficiência e produtividade.

“A baixa produtividade, a rigidez fiscal, a burocracia sufocante e a insegurança jurídica compõem o que se convencionou chamar de “Custo Brasil”, um obstáculo persistente ao investimento e à inovação”, explica.

Segundo o especialista em administração Marcello Marin, o Brasil tem uma economia maior e mais complexa – o que torna seu crescimento mais lento. Entretanto, é necessário que o país acelere reformas estruturais em áreas de tributação, administração e trabalhista.

“O Brasil cresce de forma modesta porque há muitos entraves internos. Enquanto não resolvermos esses gargalos, vamos continuar dependendo de choques externos – como commodities ou juros globais – para crescer acima da média. O governo tem de cortar gastos urgentes e trabalhar em uma melhoria para que possamos ter esse crescimento”, ressalta Marin.

Ajuste fiscal

Ao assumir o mandato, em 2023, o presidente argentino, Javier Milei, prometeu mudanças drásticas na estrutura econômica do país a fim de controlar a inflação. Com o novo governo, o país iniciou um programa de ajuste fiscal radical e de reformas liberais ambiciosas.

Além disso, sob alvo de críticas, Milei fez um amplo corte nos gastos públicos, demitiu centenas de servidores públicos e promoveu ampla desregulamentação dos planos de saúde.

“O sucesso do programa argentino, até o momento, contrasta com experiências anteriores do país. A redução da inflação mensal de 26% para níveis mensais no intervalo de 2% a 3% em menos de um ano representa uma das mais rápidas desinflações da história econômica recente, particularmente notável por ter sido alcançada sem o recurso de mecanismos de congelamento“, aponta um relatório da FGV.

Para Hugo Garbe, a preocupação é “se esse avanço representa uma verdadeira virada de ciclo ou apenas um respiro técnico após uma recessão devastadora”.

Tecnicamente, a Argentina saiu da recessão. O PIB voltou a crescer em termos trimestrais, mas, na opinião de especialistas, isso não significa estabilidade ou prosperidade.

O empresário Marcos Freitas possui empreendimentos na Argentina e observa que o cenário no âmbito dos negócios ainda é frágil, volátil e imprevisível. Para ele, no Brasil, o crescimento menor da economia não deve ser encarado como fracasso, mas como alerta.

“A diferença entre os dois países não está na velocidade momentânea do crescimento. Está na mentalidade. Enquanto a Argentina tenta se reerguer com decisões de choque, o Brasil segue prisioneiro da hesitação. Não há clareza estratégica nem coordenação entre o setor público e o setor produtivo. Falta coragem para simplificar, desburocratizar e liberar o empreendedor para fazer o que sabe: produzir, empregar e inovar“, avalia.

Fonte: R7

Compartilhe esta notícia

Leia também