Novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana assume com Peña preso e bens bloqueados
O Senado paraguaio aprovou a destituição por 44 votos na noite de sexta-feira (6). Peña foi preso horas depois, está no Regimiento Escolta Presidencial e teve os bens bloqueados pela Justiça.
O Senado paraguaio destituiu Santiago Peña por 44 votos na noite de sexta-feira (6). Ele foi preso horas depois, e o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato até agosto de 2028.
A votação nominal começou às 18h45, com 45 senadores habilitados, e o resultado saiu dez minutos depois: 44 votos pela destituição por mau desempenho de funções, nenhum contra e um senador ausente.
“Declara-se culpado o acusado Santiago Peña Palacios da acusação de mau desempenho de suas funções”, leu o presidente do Senado, Basilio Núñez.
Alliana prestou juramento às 19h45, na sessão bicameral. “O primeiro dever de um governante é olhar para a sorte dos mais desprotegidos”, disse, e prometeu compensar integralmente os clientes atingidos pela quebra do Ueno Bank. O Congresso elegeu Antonio Barrios vice-presidente.
Peña tentou até o fim barrar o julgamento. Às 18h26, ausente do plenário, publicou nas redes sociais: “Apresentei minha renúncia para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai”.

Seus advogados sustentaram que a renúncia tornava o processo nulo. “O argumento central da nossa defesa é que o julgamento é nulo”, disse o advogado Adolfo Ferreiro. Os senadores responderam que a renúncia só produz efeito jurídico depois de o Congresso tratá-la — e o Congresso nunca a tratou.
Às 19h41, a Promotoria pediu a detenção preventiva de Peña e do ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. A Polícia Nacional cumpriu a ordem às 20h05.
O QUE ACONTECEU DEPOIS
Antes da meia-noite, Peña foi levado ao Regimiento Escolta Presidencial, segundo as autoridades, por segurança. No sábado, por volta das 11h, prestou depoimento na Fiscalía General del Estado.
O juiz Humberto Otazú decretou a prisão preventiva e determinou a inibição geral de vender ou dar em garantia bens, além do embargo preventivo de fundos e produtos financeiros de Peña e de Carlos Dagoberto Carvallo Spalding.
Peña foi imputado por lesão de confiança, como instigador, e administração em proveito próprio, como autor. Na audiência, absteve-se de declarar. Ao ser algemado na chegada, disse: “Não pode ser isso, sou um ex-presidente da República”.
Segundo o coronel José David Dayub, ele ocupa um quarto com cama, guarda-roupa, ar-condicionado e banheiro, com 10 a 12 agentes de segurança.
O TAMANHO DO PREJUÍZO, SEGUNDO A PROMOTORIA
A Promotoria estima o prejuízo preliminar em 3,608 trilhões de guaranis e US$ 233,4 milhões. A causa é a nº 92/2026, “Santiago Peña Palacios y otros”.
O Banco Central determinou a cessação das operações do Ueno Bank na madrugada de 3 de novembro, depois de a solvência cair a menos de 50% do mínimo legal. O banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, dos quais aproximadamente US$ 380 milhões do instituto de previdência estatal.
Peña vendeu suas ações na Ueno Holding em março de 2025. O ex-CEO do banco, Federico Miguel Vázquez, foi sócio dele em negócios..
Com informações de ABC Color







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